domingo, 10 de janeiro de 2010

Delírios de Fausto II


Totalmente desperto, totalmente sóbrio, vi um mineral que entoava louvores ao demonio, vi espiritos que dançavam sob a luz dos signos sombrios em noite de lua nova. Vi sonhos serem consumidos, vi a feiura encardada, vi Mefistofoles dançando com um tronco rachado e podre, de um aroma fétido, li9berando liquidos de sua podridão, quando vi lá estava eu, em meio daquele tronco, sentindo um prazer imenso, de compartilhar o resultado mais podre de um ato profano, bebi da taça da grande meretriz e pude ver que de seu sangue menstrual o mundo místico e não contado pela igreja se revela muito maior, muito mais complexo, muito mais... profano e delicioso. Delírios de Fausto, por Lee.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Delírios de Fausto I


Fato é, sou um ser ausente, cuja a presença se sente pela frustração de não ser tudo aquilo que poderia ser e não foi, Há algo que me amarra e me prende, me impede que é a realidade insipida em que vivemos, a limitação do próprio homem sobre si mesmo, o medo de ser livre... Diria mais o horror da liberdade tomou o que tinhamos de melhor, o egoismo. - Delirios de Fausto por Leandro Lee-

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Um Ode a Luz


Em um determinado momento cansei de viver sobre a sombra da mão divina, sobre o conforto da proteção do trono e quis mais, muito mais. Para ter o que eu quero, terei de viver sob a luz intensa da estrela da manhã, que mesmo expulsa de sua posição ainda brilha e do abismo urra por sua justiça, urra pelo reconhecimento de que mesmo tendo perdido o amor jamais deixou de ser amado...
Serei eu um novo filho de um novo pai? Serei eu um Cainita afastado da luz?
O brilho intenso da pureza já não me seduz mais, o meu desejo é pelo clamor das multidões sob meus pés implorando pois deterei um Poder jamais alcançado.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Fausto


Mefitofeles veio me visitar esses dias, sentou-se em minha poltrona, acariciou o meu gato, tomou de meus vinhos, como sempre esteve a vontade, como se fosse um bom amigo, ou um estimado irmão.
Estendeu sua mão sobre minha mesa e deste movimento fez surgir um contrato, riqueza financeira, prazeres carnais, uma saúde impecável, conhecimentos vastos, uma memória eidetica e a ausência total da alma, do medo, da culpa e do desespero.
Ofereci mais vinho...
Já havia lhe vendido muitas almas, agora ele queria a minha, riu-se da facilidade com que eu conquisto as pessoas para então trai-las, esquece-las... Mefistofeles me conhece, alias é o único que me conhece, mesmo sem saber a minha real opinião sobre tudo isso, ou sobre qualquer coisa, afinal, quem realmente sabe?
Por eras minha vida foi prolongada, tudo o que eu tenho conquistei as custas das almas de outros, hoje é a minha que está em questão. Ri de mim mesmo e de minha situação, enrolei o diabo, mas sabendo que seria um dia condenado... e quanto mais enrolava, mais a pena aumentava. Se foram os amigos, se foram os familiares, mas Mefisto ficou, Mefistofoles cá está.
Ele se levanta, caminha em frente a minha estante, passando os dedos sobre as lombadas dos mesmos sem desviar o olhar do meu, quer me sondar, descobrir se aceitarei o contrato, ou continuarei vivendo por mais uma era, ao invés de limitar a minha vida. A Eternidade sim é terrivel, esta na terra, aquela no inferno, seja qual eu escolher somente sendo mortal eu amarei, o que ele oferece não é a libertação, ou o que eu não tenho, mas algo que eu nunca tive sem perder os bens materiais que acumulei.
Comedia, de Dante, da minha estante para as mãos dele, ri-se da imaginação do italiano, mas admite que a mim estaria reservado o último círculo do inferno, não por ter traído, mas por ter amado, se caso eu aceitasse os termos daquele contrato.
Não... Não vale a pena...
Continuarei na terra, experimentarei as conas e não o amor...

domingo, 26 de julho de 2009

Calla negra


Mais uma vez ela esteve em casa, mais uma vez uma visita rápida que deixou só o cheiro, o perfume delicioso de um sexo bem feito, uma verdadeira dama, suave como um vulcão a plenos pulmões, expelindo sensualidade para todos os lados, seus lábios, lindos, escuros que aos poucos vão tomando o carmim do sangue para si, expressão máxima de um momento intenso por vir.
Ah, suas pernas são belas e seu gosto por vinhos sóbrios, sinceros e poderosos sempre a trazem... Perfeita, linda e perfumada.
Ainda guardo a prova do último atentado, uma belissima camisa da Dudalina, reduzida a trapos em poucos segundos... Ah, aquela boca lasciva, a sensação de seus piercings frios encostando em meu corpo em chamas.
Barbara como só ela pode ser, voraz e ainda assim, única, de um cruzar de pernas preciso, o desviar do olhar direto convidando a olhar a outros atributos, por assim dizer, sim, uma das poucas que valem a pena se ter, mas que são demais para ter só para si, o mundo decididamente precisa dela...
Ela virá, mais uma vez, se sentar a minha frente, conversar por horas temas que domina, temas que a interessam, temas e mais temas.
Beberá de meus vinhos e do meu licor que colore seus lábios já avermelhados, deitará em minha cama, me tomará em seus braços para novamente partir cuidar de seus negócios por aqui...
Hum, preciso de mais vinhos, alem de um novo espumante...

domingo, 5 de julho de 2009

Apenas o necessário...


O tempo se foi... O maldito se foi sem levar com ele a memória de seu transito, maldito seja!

O passado persegue aqueles que tem memória, aqueles que a não tem assombra como um devaneio intermitente fazendo odes a vergonha de atos, cenas, momentos, estamos todos presos, sucumbimos a maldição de ser um ser político, apesar de não sermos necessariamente sociais, mais uma vez o ciclo vicioso da linguagem fática, da relação forçosa entre vizinhos, odeio todos!

Não percebem o quão presos estão, submissos a uma ordem que não os representa, mas os oprime e os mergulha na ignorância de ser constantemente e de existir jamais!

"Merda! Onde é que aquela maldita guardou a minha garrafa de wishkie!?"

sábado, 11 de abril de 2009

Geografia da fertilidade

É interessante como a geografia do oriente médio pode se tornar uma descrição erotica...
Das Colinas de Golã descendem as águas que sanam a sede da terra que emana leite e mel, dai temos a ferilidade do Tigre e Eufrates que formam em seu meio o gérmen da civilização conhecida, o grande útero da humanidade e desembocando águas tépidas e fertilidade, formando um verdadeiro mar de água temos o Nilo, o canal que se encerra em um belissimo e fértil delta.
Assim temos como as Colinas de Golã os seios formosos de uma dama, emanando leite e alimentando todo um deserto de existência, no ventre podemos deslumbrar o traçado quase paralelo e quase tangente dos rios Tigre e Eufrates, indo alem, poderiamos dizer que os mesmos são as trompas de uma fêmea de útero fumegante, pulsante de vida e fertilidade. O belissimo delta que por vezes se encontra liso e por outras recoberto de uma viva mata, que se encerra em um verdadeiro rio, caudaloso, de águas mornas aquecidas no fogo do deserto, fogo este que gera uma fome consumista, uma sede tal que só pode ser descrita pelo seu fluxo constante de águas que se encerram no mar de vontades...
Alias, devemos lembrar que assim como as regras femininas enriquecem de cor tal licor a história mitica enriquece as águas do nilo de mesmo sangue, seria essa uma analogia válida a ponto de reforçar a tese de que a geografia do mundo é pervertida?