sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Vibora


És, minha cara, doce serpente que se insinua, que prende no olhar o temor do encantador mais experiente.

Em ti, minha princesa, jaz o mais doce dos venenos que aos poucos se espalha e a mente vicia, aos poucos se enraisa e promove da loucura à devassidão, eleva-me ao seu nivel então.

Na loucura e no prazer nos encontramos, tu serpente e eu escorpião, cada qual com sua natureza vil e dissimulada, mas tu, e somente tu, tens a vantagem do desconhecer, pois aqueles que não te entendem por completo não podem saber, se o teu segredo é o veneno ou se sufocas de desejo.

Suas vitimas jazem junto as suas vestes, abandona na cena do crime apenas o enebriante cheiro, nem doce, nem fresco... um perfume oriental que impregna, que vicia, não por prender os tolos em sua aurea mistica, mas por despertar os mais profanos dos desejos.

Ah! O seu sexo é bom, suave e suficientemente intenso, na medida de seu desejo eleva ao extasy o mais insuficiente dos mortais...

Julieta

Oh! Jullieta!
Nossas familias se odeiam!
Nosso sangue se dagladia em nossas veias!
Mas oh! O Amor! O Amor é um deus vil que do sangue exige sua maior dedicação, sua maior dor!
Ah! A paixão e a devassidão! Do desvairo de nosso amor surgirá a rosa vermelha do sangue por nós derramado!
Oh! Baco! vinde a nosso encontro, permita que o vinho nos traga a alegria e o alivio da dor!
Pois será nessa noite que morrerão dois amores e eternos assim ficarão!

Romeu e Julieta reinterpretado por Lee

Anorexia

Enfim algo belo para o cão que sou, ossos e mais ossos, o talhe recortado doentio e nada saldavél...
"É esta a vida Félix" Nada que ingerimos presta, tudo é nogento, desgostoso, imundo... vomitamos tudo! Em uma bulemia intelectual, onde nada de novo se cria com aquilo que consumimos, os intelectuais de hoje citam, nada criam, nada desenvolvem.
Onde estão aqueles que escrevem? Que de fato pensam e param de ficarem se martirizando! Nem mesmo o Jogador é tão estupido e ignóbil quanto o ser real que convivemos, tudo tão fugaz, frivolo... Repugnante!
Prefiro não me alimentar de todo esse lixo! Moderno? Isso é moderno? Isso é atual? Por quê raios, uma problemática medieval ainda está em voga!? Me respondam! Miseráveis! Podres! Ah! A estupidez do ser humano, suas ignonimias, incopetências e sua veneração ao simples, ao fácil, ao visual, ao ESTUPIDO! Me é impressionante a idolatria aos dogmas, ao pronto, ao formatado e o terror diante o conhecimento, o desenvolvimento.
Sim, há terror em tudo que se cria pois é incompreendido, incompreensivel... ao ignorante o conhecimento é terrivel!
O estupido é o primeiro a negar o conhecimento, a se recusar em receber instrução, a dar ouvidos a razão...
"Sois anjo que me tentas e não me proteges..." Que assim seja Mme. X!
"Ah! A Arte se perdeu, sou forçado a fome e ao desespero, mas prefiro não absorver o que dizem que temos a apodrecer pelo que perecemos..."

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Un soir...


Não sou apenas um humano, não sou apenas um homem... Não sou homem como Rousseu, tão pouco o camundongo de Dostoiévski, sou uma besta fera, um verdadeiro monstro enjaulado não sigo a razão prática, tão pouco a filosofia que me é tão esparsa. Mas não deixo de ser complexo, posso não ser o touro que diante um muro cede território, nem ser o camundongo que no subsolo se esconde, sou a fera que se exibe com pompa sem revelar dentes ou garras o silêncio é o maior dom daquele que sente.

Simplório é o homem que reage naturalmente e em sua vingança ignóbil tem seu gozo, também não é bom o ultrassensual que se reprime e se castiga por suas vergonhas, resgatando as ofensas ou inventando-as, o bom que sou é a fera que não se revela no todo, mas que segredos não esconde.

Dos homens descritos nas Memórias do Subsolo sou nenhum, sou um novo, não pela modernidade de ser, mas por reconhecer o ser e pelo compreender o deixar de ser como uma constância, sou o felino que devora a carne viva, que espreita na moita planejando matar, destruir, consumir.

"Sou um tigre Félix, sou um tigre."

Félix deve entender o que eu penso, sempre quieto, fitando mais a si mesmo que a mim, perdido em seu próprio reflexo, em sua própria existência paralela; quantos mundos poderiam existir se não todos aqueles que concebemos?

"Concepção, esta ai, uma palavra difícil".

Ah, só mais uma dose e volto para a face da realidade que menos gosto...


quarta-feira, 9 de julho de 2008

Saba

Vinde princesa de Sabá,
Venha com o rei se deitar.
Tomarei de teus lábios
O mais doce do manjar

Dentre seus lábios surge
Um belo botão em chamas,
Enebriante é teu perfume,
Convite ao delirio luxuriante.
Armadilha única das damas...

Ah Princesa!
Ah Princesa!
No desafio esta sua beleza!
Dos prazeres és princesa!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Rainha de Sabá


Oh! Bela princesa do Leste que os mais caros presentes a esta terra traz, mas o presente maior é o seu desafio, suas charadas ao Rei. Bem vinda a esta terra, bela Rainha de Sabá. Vinde as terras frias de meu reino, traga o calor de sua criatividade e lhe darei, na medida de minhas faculdades, respostas sábias...Ah Rainha de terras férteis, concede seus dotes a este rei, inspira-o novamente, que belos cantigos a ti cantarei.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

É a hora em que dentre as ramagens... - Lord Byron

É a hora em que dentre as ramagens
Roxinóis cantam nênias sentidas;
É a hora em que juras de amores
Soam doces nas vozes tremidas,
E auras brandas e as águas vizinhas
Cada flor à noitinha de leve
Com o orvalho se inclina tremente,
E se encontram nos ceus as estrelas,
São as águas d´azul mais escuro,
Têm mais negras as cores as folhas,
Desse escuro o céu vai-se envolvendo
Docemente tão negro e tão puro
Que o dia acompanha-nas nuvens morrendo,
Qual finda o crepúsculo - a Lua nascendo.

-Anunciando a aproximação do solsticio de inverno; faltam dez dias.-